Obra sem segredos: o caminho da eletricidade

Para que a energia chegue da rede pública aos equipamentos que você utiliza em casa, é necessário fazer um pedido de ligação à concessionária. Ela poderá exigir uma Anotação de Responsabilidade Técnica (ART), documento no qual um profissional responde pelas instalações – mais um motivo para recorrer a alguém habilitado.

  • POSTE PÚBLICO: está a cargo da empresa fornecedora de energia, responsável por sua instalação e manutenção. Conduz os fios da rede municipal.
  • POSTE PARTICULAR: ele e a caixa de medição devem ser providenciados pelo usuário e tender às normas da concessionária referentes a materiais, medidas e posicionamento. Fica no limite com a rua e faz a transição entre a rede pública e a moradia.
  • CAIXA DE MEDIÇÃO: dentro dela a empresa instala e liga o medidor (que indica o consumo mensal) e o ramal de serviço – o que então permite a entrega da energia.Da caixa parte ainda a haste de aterramento.
  • QUADRO DE DISTRIBUIÇÃO: também chamado quadro de luz, é o coração das instalações: recebe os fios vindos do medidor e distribui a energia dentro da casa a tomadas, interruptores e aparelhos. Abriga os disjuntores termomagnéticos e os dispositivos diferenciais residuais. Pode incluir o dispositivo protetor de surtos.

DISJUNTORES
Outro fator de segurança mora no quadro de luz: os disjuntores termomagnéticos, responsáveis por desarmar os circuitos quando a temperatura alcança níveis perigosos. Quem nunca testemunhou uma interrupção de energia ao usar simultaneamente aparelhos como o forno de micro-ondas e a secadora de roupas? São os disjuntores fazendo seu trabalho e avisando da existência de sobrecarga. Portanto, não os ignore e cheque a origem do problema. Além deles, há dois outros tipos: o dispositivo diferencial residual, obrigatório desde 1997 nas instalações que atendam a áreas molhadas e externas, e o dispositivo protetor de surtos. O primeiro detecta fugas de corrente e desliga o circuito
correspondente, impedindo choques – em locais sujeitos à umidade, evita eletrocução. Já o segundo protege equipamentos das descargas de alta voltagem causadas pela queda de raios (ao perceber a sobretensão, ele desliga os eletrodomésticos antes que queimem).

MULTIMÍDIA
Atualmente, um bom projeto elétrico não se atém somente à energia. Com moradias e pessoas cada vez mais conectadas (e muita gente trabalhando em casa), deve-se prever por onde passarão cabos de internet, telefonia e TV por assinatura. “Há 15 anos, ninguém se preocupava com um planejamento específico para dados no ambiente doméstico porque não havia tal necessidade. Ela era restrita a poucos grupos e ao mundo corporativo. Agora, essa exigência cresceu muito e a proposta de elétrica deve contemplar também essas conexões”, afirma o engenheiro Renato Menezes, da Furakawa. Para isso, o mercado oferece os chamados quadros multimídia. Eles são parecidos com os de força, mas recebem sinais de internet, telefone e TV e os distribuem pela casa, evitando interferências e aquelas indesejadas instalações externas. Em residências nas quais não houve essa previsão, o usuário pode apelar para canaletas, caso queira fugir de uma obra, ou esconder a fiação num forro de gesso, recurso que causa menos incômodo se comparado à abertura de rasgos nas paredes.


Reportagem: Bruno Versolato/Ilustração: Gil Tokyo/Pingado/Fotos: André Fortes

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